O cenário global rumo a 2026 apresenta um desafio claro para as áreas de Compliance: os riscos já não evoluem de forma isolada. Tecnologia, regulação, geopolítica, cultura organizacional e sustentabilidade se inter-relacionam e exigem Programas de Integridade mais dinâmicos, integrados e antecipatórios.
Nesse contexto, o relatório Risk in Focus, do Instituto Global de Auditoria Interna, consolida-se como uma referência relevante para compreender quais riscos ganham centralidade e quais capacidades precisam ser fortalecidas. A partir de sua análise, a Resguarda compartilha uma leitura estratégica voltada a organizações que atuam na América Latina e buscam fortalecer a função de Compliance para além do cumprimento formal.
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Por que o relatório Risk in Focus 2026 redefine a agenda de Compliance?
O valor do relatório Risk in Focus não está apenas na identificação dos riscos, mas em sua abordagem prospectiva e transversal. Com contribuições de mais de 1.000 profissionais da região, ele permite antecipar tendências, priorizar recursos e revisar a efetividade real dos marcos de controle existentes.
Para as áreas de Compliance, isso implica uma pergunta-chave:
Nosso Programa de Integridade está preparado para riscos que mudam mais rápido do que as normas?
Principais riscos de Compliance para 2026 e como enfrentá-los
1. Cibersegurança e Inteligência Artificial: entre a inovação e a vulnerabilidade
Riscos-chave:
- Ciberataques e crimes tecnológicos emergentes: ransomware, phishing avançado, ataques à cadeia de suprimentos.
- Kickbacks 3.0: novas modalidades de corrupção e lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas e plataformas digitais.
- IA generativa e riscos de vazamento de dados, deepfakes e manipulação de informações.
- Sanções regulatórias: descumprimento de normas internacionais e locais de proteção de dados.
- Danos reputacionais: perda de confiança por incidentes de segurança ou falta de transparência.
Estratégias de Compliance:
- Implementar um protocolo de gestão de incidentes, com tempos de resposta definidos, papéis atribuídos e comunicação interna/externa controlada.
- Auditorias de cibersegurança: testes de pentesting e simulações de ataques, entre outros.
- Capacitação em ética digital e uso seguro de IA: treinar colaboradores sobre riscos da IA generativa e proteção de dados, com casos reais e experiências práticas.
- Política de investigações internas digitalizadas: uso de plataformas seguras para preservar evidências e garantir imparcialidade, como as da Resguarda. Ver “Como iniciar uma investigação ética na empresa”.
2. Evolução normativa: adaptar-se ou sofrer sanções
Riscos-chave:
- Multas por descumprimento em ESG, proteção de dados ou leis anticorrupção.
- Restrições operacionais por ausência de licenças, registros ou certificações.
Estratégias de Compliance:
- Programa de atualização normativa: revisão mensal de mudanças legais por jurisdição.
- Capacitação contínua sobre novas leis e padrões internacionais.
- Controle e monitoramento permanentes para detectar lacunas.
- Integração do Compliance aos processos de negócio: automação de controles em ERPs e sistemas financeiros.
3. Geopolítica e macroeconomia: riscos sistêmicos
Riscos-chave:
- Continuidade operacional: sanções internacionais, restrições comerciais ou novas regulações.
- Exposição midiática: crises reputacionais por decisões políticas ou falta de resposta.
- Enfraquecimento do Programa de Integridade: desatualização de políticas frente a ambientes em mudança.
Estratégias de Compliance:
- Mapa de Riscos Geopolíticos: análise trimestral dos países onde a empresa atua, com indicadores e painéis de controle de risco político e econômico.
- Planos de contingência: cenários alternativos para operações críticas (fornecedores, logística, pagamentos internacionais etc.).
- Comitê de Crise: equipe multidisciplinar treinada para gerir comunicação e decisões rápidas.
- Monitoramento regulatório automatizado: ferramentas que alertem sobre mudanças normativas em tempo real.
4. Compliance Behaviour: o fator humano e a gestão emocional da liderança
Riscos-chave:
- Fadiga ética: quando a pressão por resultados leva à justificativa de condutas inadequadas.
- Vieses cognitivos: decisões influenciadas por interesses pessoais ou de grupo.
- Resistência à mudança: rejeição a novas políticas ou tecnologias por falta de empatia na comunicação.
- Gestão emocional deficiente: líderes que não lidam bem com o estresse podem transmitir insegurança e afetar a credibilidade do Programa de Integridade.
Estratégias de Compliance:
- Programas de formação em liderança ética e resiliência emocional: treinar líderes em inteligência emocional, gestão de conflitos e tomada de decisão baseada em valores.
- Avaliações de clima ético: pesquisas internas para medir a percepção de integridade e confiança. Leia mais sobre cultura ética e governança.
- Espaços de diálogo e mentoria: criar fóruns para discussão de dilemas éticos reais entre líderes e equipes.
- Integração de KPIs de cultura e comportamento: medir não apenas o cumprimento normativo, mas também indicadores de conduta ética.
- Protocolos de comunicação empática em crises: guias para transmitir mensagens claras e humanas em situações de risco.
5. Riscos ESG: sustentabilidade como pilar do Compliance
Riscos-chave:
- Ambientais: descumprimento de normas sobre emissões, gestão de resíduos e uso de recursos naturais.
- Sociais: violações de direitos humanos na cadeia de suprimentos, discriminação, falta de diversidade e inclusão.
- Governança: corrupção, falta de transparência em relatórios ESG, conflitos de interesse em decisões estratégicas.
Estratégias de Compliance:
- Sanções regulatórias: leis de devida diligência em direitos humanos e meio ambiente em diversos países.
- Perda de acesso a mercados: investidores e clientes exigem padrões ESG para contratar.
- Danos reputacionais: percepção negativa diante de descumprimentos éticos ou ambientais.
Programa Integral de Compliance: uma evolução necessária
O ano de 2026 se apresenta como um período decisivo para a função de Compliance, marcado por desafios complexos e pela necessidade de fortalecer programas robustos que abordem as múltiplas disciplinas de risco às quais a organização está exposta. Esses riscos decorrem tanto de normas internas quanto de regulações externas, em um contexto global dinâmico e altamente exigente.
Para enfrentar esse cenário, a Resguarda recomenda um modelo proativo e integrado que combine:
- Capacitação contínua: desenvolver competências técnicas e éticas em todos os níveis da organização e entre os atores sociais envolvidos.
- Inovação em ferramentas: incorporar soluções tecnológicas que permitam uma gestão mais eficiente e eficaz.
- Networking profissional: gerar alianças e espaços de troca com especialistas de diferentes indústrias e países, enriquecendo práticas e alinhando-as a padrões internacionais.
- Aplicação de modelos globais: adotar marcos reconhecidos como ISO 37301, COSO, GRI, entre outros, para garantir melhoria contínua e alinhamento às melhores práticas.
Nosso enfoque combina métodos ágeis, investigação avançada e acompanhamento local em toda a América Latina.
Conclusão: Compliance como decisão estratégica
O Programa de Integridade não deve ser uma resposta reativa, mas um motor de valor sustentável. Antecipar riscos, investir em cultura ética e adotar tecnologia são chaves para navegar em um ambiente de alta volatilidade.
A Resguarda é uma aliada estratégica para acompanhar essa transformação. Com mais de 20 anos de experiência em canais de denúncia, investigações internas e capacitações, ajudamos nossos clientes a construir organizações mais éticas, resilientes e transparentes.
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