28 de abril — Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho
No encerramento do Abril Verde, o debate sobre saúde e segurança no trabalho ganha um ponto de atenção cada vez mais relevante: a saúde mental e a capacidade real de descanso dos trabalhadores.
Ao longo do mês, publicamos um artigo em que analisamos como a atualização da NR-1 amplia o olhar das empresas para além dos riscos físicos, incorporando também os fatores psicossociais à gestão.
Neste contexto, um ponto se torna central: descansar não é um benefício — é parte do próprio trabalho.
Por que está cada vez mais difícil descansar
Parar deveria ser simples. Mas, na prática, não é.
A pressão por produtividade constante faz com que muitos profissionais permaneçam mentalmente conectados ao trabalho mesmo fora do expediente. O tempo livre passa a ser ocupado por preocupações, pendências e cobranças.
Esse cenário cria um estado contínuo de alerta, dificultando a desconexão e impedindo a recuperação necessária para manter o desempenho ao longo do tempo.
O impacto direto na saúde e nos resultados
A falta de descanso não é apenas uma questão individual — ela impacta diretamente as organizações.
A incapacidade de se desconectar está associada a:
- queda de produtividade
- aumento de erros
- maior nível de estresse
- piora no clima organizacional
No Brasil, esse cenário já se reflete em números relevantes. Em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos relacionados a transtornos mentais, incluindo ansiedade, depressão e burnout.
Do diagnóstico à responsabilidade das empresas
Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, essa discussão deixa de ser apenas conceitual.
As empresas passam a ter a responsabilidade de identificar e gerenciar fatores como:
- excesso de demanda
- metas desproporcionais
- práticas de assédio
- ambientes organizacionais disfuncionais
Ou seja, criar condições reais para o descanso deixa de ser opcional — e passa a fazer parte da gestão de riscos.
Como avançar na prática
Mais do que cumprir uma exigência regulatória, o desafio está em transformar o ambiente de trabalho.
Algumas ações-chave incluem:
- Revisar práticas que incentivam sobrecarga
- Fortalecer canais de escuta e denúncia
- Capacitar lideranças para atuação preventiva
- Monitorar sinais de esgotamento nas equipes
- Promover uma cultura onde o descanso seja legítimo
Abril termina — a gestão continua
O Abril Verde cumpre um papel importante ao trazer visibilidade ao tema. Mas o cuidado com a saúde e segurança no trabalho não pode ser sazonal.
O que este mês deixa como mensagem é claro: organizações que não incorporarem a saúde mental e os riscos psicossociais à sua gestão estarão mais expostas — do ponto de vista humano, operacional e regulatório.
Promover descanso, escuta e ambientes saudáveis não é apenas uma boa prática. É uma condição para sustentar resultados no longo prazo.
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