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ExpoCompliance 2026: o que começa quando uma investigação termina?

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2026-08-25

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Entre os dias 18 e 20 de agosto, a Resguarda participou da ExpoCompliance 2026, em São Paulo, levando ao evento uma discussão que interessa diretamente a profissionais de Compliance, Auditoria e Governança: o que uma organização faz com o conhecimento produzido por uma investigação depois que o caso é encerrado?

Mais do que apresentar uma metodologia de investigação, o workshop conduzido por Luciana Mutti, Compliance Officer da Resguarda, e Renata Lemes, Chefe Executiva de Auditoria, propôs olhar para a investigação como uma fonte de informação estratégica para a organização.

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O que começa quando uma investigação termina?

Em formato de diálogo, o workshop partiu de uma pergunta simples, mas pouco explorada: quando uma investigação termina, o trabalho de prevenção também termina?

A resposta apresentada ao longo da conversa foi clara: não.

Uma investigação pode esclarecer fatos, identificar responsabilidades e determinar se uma denúncia é procedente. Mas seus resultados também podem revelar algo maior: falhas de processo, controles ineficazes, lacunas de governança ou condições organizacionais que permitiram que determinado comportamento acontecesse.

É nesse ponto que investigação e auditoria se encontram.

Enquanto a investigação busca reconstruir o que aconteceu e reunir evidências sobre um caso específico, a auditoria pode ajudar a avaliar por que os controles existentes não foram suficientes para evitar, detectar ou responder adequadamente ao problema.

Essa diferença é fundamental para evitar que uma organização trate um risco sistêmico como um problema exclusivamente individual.

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Da causa aparente à causa raiz

Um dos pontos centrais do workshop foi a diferença entre identificar o responsável por um evento e compreender as condições que permitiram que ele acontecesse.

Em muitos casos, a investigação termina quando a organização identifica uma conduta inadequada e toma as medidas cabíveis. Mas essa conclusão pode ser insuficiente.

Se uma mesma falha aparece novamente ou se diferentes casos começam a apontar para a mesma área, processo ou controle, o problema deixa de ser apenas individual.

A pergunta passa a ser outra:

o que, dentro da organização, permitiu que esse risco existisse ou se repetisse?

Um controle mal desenhado, uma política que não se traduz em prática, uma ausência de segregação de funções ou um processo de aprovação inadequado podem ser mais relevantes para a prevenção futura do que o caso individual que originalmente levou à investigação.

Por isso, uma investigação eficaz não deveria produzir apenas uma conclusão sobre o caso. Ela também deveria produzir informações capazes de alimentar decisões de prevenção e melhoria dos controles.

Três aprendizados que as investigações podem revelar sobre um programa de Compliance

A discussão na ExpoCompliance também destacou três aprendizados importantes para quem acompanha a efetividade de um programa de Compliance.

1. O volume de denúncias não mede, sozinho, a efetividade de um canal

Um canal de denúncias com poucos relatos não necessariamente indica uma organização com poucos problemas.

O volume precisa ser analisado em conjunto com fatores como confiança no canal, conhecimento sobre seu funcionamento, percepção de segurança, acessibilidade e tratamento dado aos relatos.

Por isso, a análise de um canal de denúncias deve ir além da quantidade de casos recebidos e considerar o que os dados revelam sobre a cultura e a percepção dos colaboradores.

2. Uma política só é efetiva quando encontra controles capazes de sustentá-la

Ter um Código de Ética ou uma política formalmente aprovada é apenas uma parte do sistema de prevenção.

A investigação de um caso pode revelar que a organização possui a regra correta, mas não possui controles suficientes para garantir sua aplicação na prática.

Essa diferença entre “ter uma política” e “ter um mecanismo que faça a política funcionar” é um dos pontos que uma investigação pode ajudar a tornar visível.

3. A recorrência transforma casos individuais em sinais de risco sistêmico

Quando investigações diferentes começam a apontar repetidamente para uma mesma área, processo, liderança ou tipo de controle, o padrão merece ser analisado.

A recorrência pode indicar que as medidas adotadas após os casos anteriores não foram suficientes ou que a causa do problema está em uma camada mais estrutural da organização.

Nesse cenário, encerrar cada investigação individualmente não significa necessariamente resolver o risco.

Investigação, auditoria e governança: o ciclo depois do caso

Uma investigação pode terminar formalmente quando o caso é concluído. O aprendizado produzido por ela, porém, não deveria terminar ali.

Os achados podem alimentar revisões de controles, ajustes de processos, mudanças em políticas, treinamentos direcionados, avaliações de risco e planos de remediação.

É justamente essa conexão que transforma a investigação de uma atividade predominantemente reativa em uma fonte de inteligência para o programa de Compliance.

O ciclo passa a ser:

relato → investigação → identificação de causas → avaliação de controles → remediação → monitoramento.

Quando esse ciclo funciona, os casos deixam de ser apenas eventos a serem encerrados e passam a contribuir para a evolução contínua da governança.

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Resguarda na ExpoCompliance 2026

Além do workshop, a Resguarda esteve presente durante os três dias do evento com um espaço dedicado à interação com profissionais do setor.

O stand contou com materiais institucionais e dinâmicas de participação, incluindo uma ação de reconhecimento entre os participantes e uma roleta com prêmios.

Mais do que complementar a presença da marca no evento, as atividades contribuíram para criar espaços de conversa com profissionais que atuam diariamente com os desafios de ética, Compliance, investigação e governança.

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O que fica da ExpoCompliance 2026

A participação da Resguarda na ExpoCompliance reforçou uma discussão cada vez mais relevante para programas maduros de Compliance: uma investigação não deveria ser vista apenas como o ponto final de uma denúncia, mas também como uma oportunidade de identificar e tratar riscos que podem continuar existindo depois do encerramento do caso.

A integração entre canal de denúncias, investigações internas, auditoria, controles e governança permite que a organização vá além da resposta ao incidente e utilize os aprendizados dos casos para fortalecer sua capacidade de prevenção.

É nesse espaço entre investigar o que aconteceu e transformar o aprendizado em mudança que o Compliance pode gerar valor estratégico para a organização.

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