1º de maio, Dia do Trabalhador. 2 de maio, Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral e Dia Nacional da Ética.
As datas convidam a uma reflexão necessária: o que significa, na prática, oferecer um ambiente de trabalho digno?
Mais do que salário e vínculo formal, dignidade no trabalho também envolve segurança psicológica, respeito e prevenção a condutas abusivas.
E em 2026, esse debate ganha ainda mais relevância com a entrada em vigor, em 26 de maio, das novas exigências da NR-01, que passam a incluir formalmente os riscos psicossociais na gestão ocupacional das empresas.
Entre esses riscos, o assédio moral no trabalho ocupa posição central.
O que é assédio moral no trabalho
Assédio moral é a exposição de uma pessoa a situações humilhantes, constrangedoras ou degradantes de forma repetida e prolongada no exercício de suas funções.
Pode ocorrer entre lideranças, colegas ou subordinados.
Alguns exemplos frequentes:
- críticas públicas e humilhantes
- isolamento intencional
- pressão excessiva por resultados
- metas inalcançáveis
- ameaças veladas
- desqualificação constante do trabalho
O ponto que diferencia o assédio de um conflito pontual é a repetição associada ao desequilíbrio de poder.
O que muda com a NR-01 a partir de 26 de maio
A atualização da NR-01 amplia o escopo tradicional da segurança do trabalho.
A partir de 26 de maio de 2026, as empresas passam a ser obrigadas a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) dentro do GRO.
Isso inclui fatores como:
- assédio moral
- sobrecarga de trabalho
- jornadas extensas
- metas abusivas
- conflitos interpessoais
- pressão psicológica constante
- ambientes hostis
Na prática, isso significa que o assédio moral deixa de ser tratado apenas como tema de RH ou clima organizacional.
Agora, passa a ser também um risco ocupacional formalmente regulado.
Entrevista especial: Ana Cristina Figueiredo explica os impactos da NR-01
Para aprofundar o tema, conversamos com Ana Cristina Figueiredo, consultora jurídica e empresarial com mais de 30 anos de experiência em prevenção de riscos, compliance e governança corporativa.
Na entrevista para o canal da Resguarda, Ana destaca que a norma exige uma postura preventiva e integrada.
Entre os principais pontos abordados:
- necessidade de atuação preventiva
- responsabilidade sobre terceiros e prestadores de serviço
- envolvimento da alta liderança
- importância do canal de denúncias
- papel da cultura organizacional
Por que isso é urgente para as empresas
O impacto do assédio moral vai além da cultura.
Ele afeta diretamente:
- saúde mental
- produtividade
- absenteísmo
- turnover
- passivo trabalhista
- risco regulatório
Com a NR-01, empresas precisarão identificar, documentar, prevenir e monitorar esses riscos.
A ausência dessa gestão pode resultar em autuações, multas e maior exposição jurídica.
Canal de denúncias e NR-01: conexão direta
O canal de denúncias passa a ter papel ainda mais estratégico.
Além de ferramenta de compliance, ele se torna uma fonte essencial para o mapeamento de riscos psicossociais exigido pela NR-01.
Os relatos ajudam a identificar:
- áreas críticas
- lideranças com maior recorrência
- padrões de comportamento abusivo
- riscos de adoecimento
Ou seja, o canal não serve apenas para reagir.
Ele passa a apoiar a prevenção regulatória e a gestão do PGR.
O que as empresas precisam fazer agora
Antes da vigência da norma, algumas ações são prioritárias:
- revisar o PGR para incluir riscos psicossociais
- mapear áreas com maior exposição
- analisar dados de denúncias e afastamentos
- revisar metas e jornadas
- capacitar lideranças
- estruturar protocolos de investigação
- garantir canal de denúncias acessível e seguro
Maio marca uma virada regulatória
O simbolismo das datas é forte.
Não basta celebrar o trabalhador em 1º de maio.
É preciso garantir condições reais para que ele trabalhe com segurança também no aspecto emocional e relacional.
Com a NR-01, essa responsabilidade deixa de ser apenas uma boa prática. Passa a ser uma obrigação formal para todas as empresas.





